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domingo, 29 de janeiro de 2012

Orisá Oyá

Senhora da Tarde, dona dos espíritos. Senhora dos raios e das tempestades. Oyá, mais conhecida no Brasil como Yansã, foi uma princesa real na cidade de Irá, na Nigéria em 1450a.C.. Sobrinha-neta do rei Elempe e neta de Torossi(mãe de Xangô), conquistou com valentia, coragem e dedicação seu caminho para o trono de Oyó. Conhecedora de todos os meandros da magia encantada, nunca se deixou abater por guerras, problemas e disputas. 

Foi mulher de seu primo Xangô e ajudou-o a conquistar vários reinos anexados ao Império Yorubano. Porém, abandonou-o em defesa de sua cidade natal, disposta a enfrentá-lo. Oyá é a menina dos olhos de Oxalá, seu protetor, e a única divindade que entra no Ibalé dos Eguns(mortos) 








O HOMEM DE YANSÃ
O filho de Yansã é como o vento: instável e volúvel, e isso, em termos afetivos, significa que ele não gostará definitivamente de uma pessoa. Agitado, apesar de não demonstrar, tem uma vida sensual e sexual extremamente inconstante, porque pula de um relacionamento para outro, na ânsia de conseguir tudo ao mesmo tempo. Seu maior prazer é viajar, conhecer gente e locais diferentes, sair fora da rotina. Adora festas, principalmente aquelas onde poderá mostrar que dança bem. Quem gosta de uma vida agitada, onde a palavra de ordem é a aventura, encontra nele o parceiro ideal. Só que, apesar de ativo sexualmente, precisa ser estimulado por uma parceira criativa. 



A MULHER DE YANSÃ
A mulher de Yansã é sempre aceita e admirada onde quer que vá. Não é do tipo que faz charme quando esta a fim de alguém: declara-se logo abertamente, da mesma forma que é rapidíssima para dar o fora em alguém. Nunca lhe faltarão admiradores, já que é dona de uma beleza natural que é a chave do seu sucesso. Não é vaidosa, mas se necessário, sabe se vestir e se comportar como uma rainha. Para estar ao seu lado, o homem precisa ser inteligente, bonito, sóbrio, bom papo e de preferência, místico.

É uma mulher super ativa sexualmente e disposta a tudo para manter seu romance.


Oiá recebe o nome de Iansã, mãe dos nove filhos
 Oiá desejava ter filhos, mas não podia conceber
Oiá foi consultar um babalaô e ele mandou que ela fizesse um ebó.
Ela deveria oferecer um  carneiro, um agutã,
muitos búzios e muitas roupas coloridas.
Oiá fez o sacrifício e teve nove filhos.
Quando ela passava, indo em direção ao mercado, o povo dizia:
"Lá vai Iansã".
Lá ia Iansã, que quer dizer mãe nove vezes.
E lá ia ela toda orgulhosa ao mercado vender azeite-de-dendê.
Oiá não podia ter filhos, mas tve nove,
depois de sacrificar um carneiro.
E em sinal de respeito por seu pedido atendido
Iansã, a mãe de nove filhos, nunca mais comeu carneiro.
[ Lenda 163 do livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi ]

Oiá ganha de Obaluaê o reino dos mortos
 Certa vez houve uma festa com todas as divindades presentes.
Omulu-Obaluaê chegou vestindo seu capucho de palha.
Ninguém o podia reconhecer sob o disfarce
e nenhuma mulher quis dançar com ele.
Só Oiá, corajosa, atirou-se na dança com o Senhor da Terra.
Tanto girava Oiá na sua dança que provocava vento.
E o vento de Oiá levantou as palhas e descobriu o corpo de Obaluaê.
Para surpresa geral, era um belo homem.
O povo o aclamou por sua beleza.
Obaluaê ficou mais do que contente com a festa, ficou grato.
E, em recompensa, dividiu com ela o seu reino.
Fez de Oiá a rainha dos espíritos dos mortos.
Rainha que é Oiá Igbalé, a condutora dos eguns.
Oiá então dançou e dançou de alegria.
Para mostrar a todos seu poder sobre os mortos,
quando ela dançava agora, agitava no ar o iruquerê,
o espanta-mosca com que afasta os eguns para o outro mundo.
Rainha Oiá Igbalé, a condutora dos espíritos.
Rainha que foi sempre a grande paixão de Omulu.
.[ Lenda 179 do livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi ]



sábado, 14 de janeiro de 2012

orixá iku o unico que imcorpora todos os seres humanos









Diziam os mais velhos que Olodumare, o Deus maior, determinou que Obatalá criasse os homens para que eles povoassem o Ayê – esse nosso mundo visível. Não foi em um ato de misericórdia ou amor que o Deus determinou que o ser humano fosse criado; Olodumare fez isso em um momento de vaidade, do qual em algumas ocasiões arrependeu-se amargamente.
 
Obatalá, para criar os homens, os moldou a partir de um barro primordial; para isso pediu a autorização de Nanã, a venerável Orixá que tomava conta daquele barro. Os seres humanos, depois de moldados, recebiam o emi – sopro da vida – e vinham para a terra; aqui viviam, amavam, geravam novos homens, plantavam, colhiam, se divertiam e cultuavam as divindades.
 
Aconteceu, porém, que o barro do qual Obatalá moldava os homens foi acabando. Em breve não haveria a matéria primordial para que novos seres humanos fossem feitos. Os casais não poderiam ter filhos e a terra mergulharia na tristeza trazida pela esterilidade. A questão foi levada a Olodumare.
 
Ciente do dilema da criação, Olodumare convocou os Orixás para que eles apresentassem uma alternativa para o caso. Como ninguém pensasse uma solução, e diante do risco da interrupção do processo de criação dos homens, Olodumare determinou que se estabelecesse um ciclo. Depois de certo tempo vivendo no Ayê, os homens deveriam ser desfeitos, retornando à matéria original, para que novos homens podessem, com parte da matéria restituída, ser moldados.
 
Resolvido o dilema, restava saber de quem seria a função de tirar dos homens o sopro da vida e conduzi-los de volta ao todo primordial – tarefa necessária para que outros homens viessem ao mundo.
 
Obatalá esquivou-se da tarefa. Vários outros Orixás argumentaram que seria extremamente difícil reconduzir os homens ao barro original, privando-os do convívio com a família, os amigos e a comunidade. Foi então que Iku, até então calado, ofereceu-se para cumprir o designo do Deus maior. Olodumare abençoou Iku. A partir daquele momento, com a aquiescência de Olodumare, Iku tornava-se imprescindível para que se mantivesse o ciclo da criação.
 
Desde então, Iku vem todos os dias ao Ayê para escolher os homens e mulheres que devem ser reconduzidos ao Orum. Seus corpos devem ser desfeitos e o sopro vital retirado, para que, com aquela matéria, outros homens possam ser feitos – condição imposta para a renovação da existência. Dizem que, ao ver a restituição dos homens ao barro, Nanã chora. Suas lágrimas amolecem a matéria-prima e facilitam a tarefa da moldagem de outros homens.
 
Iku é, desde então, o único Orixá que tem a honra de baixar na cabeça de todas as pessoas que um dia passaram pelo Ayê. É por isso que no arissum, ritual fúnebre que celebra, prepara e comemora a volta dos homens ao todo primordial, prestam-se homenagens a Iku – com cantos de júbilo e louvação que, mais que a morte, reafirmam o mistério maior; a possibilidade de outras e outras vidas.

Assim diziam os mais velhos, que jamais vestiam luto, em sua infinita sapiência


texto extraido do blog http://yleyalode.blogspot.com/