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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Adurá ossain





ADÚRÀ-ORIN ÒSANYÌN
(Rezas cantadas da Osanha)
ONÍLÙ (tamborero)
Oríkì
(Louvor) 
Ajúbà Òsanyìn wè omioro, Òsanyìn aibi, èwé lhe màá, Òsanyìn oogun
nem’ke bomi
Ewé ou!
(Respeitamos a Osanha que banha com água medicinal, Osanha que não tem
filhos , erva que se estende por volta de fora sempre como a água, Osanha,
medicina no alto . OH folhas!
DÁHÙN  (Responder)  - Èwé ou! (OH folhas!)


.. . .. . . .. . .. . . .. . .. .TOQUE KORIN EWÉ.. .. . . .. . .. . . .. . . . . .. . .
Ou -  Nú a jà kún a bá omi 

( Poda que nos esforçamos, enche que nós
encontramos a água)
D - Nú àjé wá, nú áseni
( Que se perca a bruxa ao vir, que se perca o inimigo
desconhecido)  
Ou - Á Sun e l’iná Bàbá omo Sun e l’iná  Bàbá
    ( Venha a quemar,Ud use o fogo Pai, o filho suplica ao Ud que
use o fogo Pai)
D - Á Sun e l’iná Bàbá omo Sun e l’iná  Bàbá
    ( Deva queimar, Ud use o fogo Pai, o filho suplica ao Ud
que use o fogo Pai)
Ou - Òsanyìn dêem imó ré
(Osanha crie o conhecimento aumentando-o)
D - Ao RI ou màá eu erúnmalè ao RI ou
( Nós sempre que o vemos  festejamos Espírito de Luz )
Ou - A tinrin tin tin 
( Sorrimos com desprezo assim, assim)
D - Ao RI ou màá yò erúnmalè ao RI ou
( Nós sempre que o vemos festejamos Espírito de Luz )
Ou - Òsanyìn bá ìsòro èrò màá yò, Òsanyìn bá ìsòro èrò màá yò
                ( Osanha deixe atrás o problema com uma solução que sempre
festejarei)
D - Òsanyìn bá ìsòro èrò màá yò, Òsanyìn bá ìsòro èrò màá yò
                ( Osanha deixe atrás o problema com uma solução que sempre
festejarei)
Ou - Ou yà, wá GA lè yò
( Você te desvie, vêem exaltado que pode festejar)
D - Ou yà, wá GA lè yò erù fè
( Você te desvie, vêem exaltado que pode festejar, carga e trabalha)
Ou - Ao GA lè yò ao GA lè yò ao GA lè yò erù fè àga lè yò erù fè Òsanyìn dê
màá’ rù ke fè
     ( Nos exaltamos podemos festejar, carregamos e
trabalhamos; Osanha chega sempre carga, curta e trabalha)
D - Ao GA lè yò ao GA lè yò ao GA lè yò erù fè àga lè yò erù fè Òsanyìn dê
màá’ rù ke fè
     ( Nos exaltamos podemos festejar, carregamos e
trabalhamos; Osanha chega sempre carga, curta e trabalha)
Ou - Ori móko!

( A cabeça prevalece)
D - Bá mò kéré ké
               ( Encontra-a, reconhece-a com um pequeno corte)
Ou - Ori koko
     ( A cabeça firme)
D - Bá mò kéré ké
               ( Encontra-a, reconhece-a com um pequeno corte)
Ou - Èrò meu sèrò èrò
   ( Me remedeie, faz um remédio, um remédio)
D - Èrò meu sèrò èrò èrò
   ( Me remedeie, faz um remédio, um remédio)
Ou - Ire abá bá omo
( Que o filho encontre boa sorte na esteira)
D - Ire abá bá omo ire
( Que o filho encontre boa sorte na esteira, boa sorte)
Ou - Òsanyìn s’èkó sei ré’kó
( Osanha atua e insígnia, faz tua o ensino)
D -  Sei ré’kó  sei ré’kó  s’èkó
          ( Faz tua o ensino, atua ensinando)
Ou - Èlò wá’ pè’ kó  Sun arun
( Entidade de cura vêem o chamado, ensina a queimar a
enfermidade)
D -  Èlò wá’ pè’ kó  Sun aro’ seu
( Entidade de cura vêem o chamado, ensina a queimar a
tristeza no mês )
Ou - Lànà’ rukè lànà’ rukè ewé òbe nf’ara bo
     ( Abra o caminho com o rabo de cavalo, as ervas e o
faca, usando o corpo entre)
D - Lànà’ rukè lànà’ rukè ewé òbe nf’ara bo
     ( Abra o caminho com o instrumento de rabo de cavalo, as
ervas e a faca, usando o corpo entre)
Ou - Èkó fá èkó fá
( Ensine tomando-se seu tempo)
D - Èkó fá èkó fá
( Ensine tomando-se seu tempo)
Ou - Dê mã’ruke fè mã ‘rukè fè
                ( chegue sempre trabalhando com o instrumento de rabo de
cavalo )
D - Òsanyìn dê mã’ruke fè
        ( Osanha, chegue sempre trabalhando com o instrumento de rabo
de cavalo)
Ou - Èlò wá pè kó l’arun dê
( Entidade de cura vêem o chamado, ensina a afastar a
enfermidade, chega)
D - Èlò wá pè kó yára
( Entidade de cura vêem o chamado, insígnia rápido)
Ou - Èlò wá pè kó sei’ sei meu
( Entidade de cura vêem o chamado, insígnia, faz meu trabalho)
D - Èlò wá pè kó yára
( Entidade de cura vêem o chamado, insígnia rápido)
Ou - Òsanyìn nú àjé ki nú àjé ki baba ló odò kún
    ( Osanha, limpe a bruxaria empurrando-a, limpe a bruxaria
empurrando-a, Pai transplante-a ao rio crescido)
D - Òsanyìn nú àjé ki nú àjé ki baba ló odò kún
    ( Osanha, limpe a bruxaria empurrando-a, limpe a bruxaria
empurrando-a, Pai transplante-a ao rio crescido)
Ou - Òsanyìn rá wá meu àdé  sei sei minha’ ré só só
         ( Osanha te deslize, vêem minha coroa, me faça bem e protege)
D - Òsanyìn rá wá meu àdé  sei sei minha’ ré só só
         ( Osanha te deslize, vêem minha coroa, me faça bem e protege)
Ou - Né! Olósanyìn má ku orò!
                   ( Né! Sacerdote da Osanha, não falte Espírito!)
D - Òsanyìn Òsanyìn sim!
    ( Osanha existe!)
——————————  G-IJÓ   ———————————

.. . .. . . .. . .. . . .. . .. TOQUE BRAVUN... . . . .. . .. . .. . . .. . .. . . ..
Ou - Òsanyìn Sá ru’ wé, dà yí Sá ru’wé, dà yí Sá ru’wé, dà yí Sá ru’wé
(Osanha corre e leva as ervas, as mescle, as transforme, corre
leva as ervas )
D - Òsanyìn Sá ru’ wé, dà yí Sá ru’wé, dà yí Sá ru’wé, dà yí Sá ru’wé


(Osanha corre e leva as ervas, as mescle, as transforme, corre
leva as ervas )
Ou - Oti oti dê wá Òsanyìn rà oti  dê wá
                ( Osanha deve buscar a bebida alcoólica, compra bebida
alcoólica que vem a procurá-la)
D - Oti oti dê wá Òsanyìn rà oti  dê wá, oti oti dê wá 
                ( Osanha deve buscar a bebida alcoólica, compra bebida
alcoólica que vem a procurá-la, deve buscar bebida alcóholica)
Ou - Òsanyìn se ré bu wá Sàkpàtà ní se ré bu wá ou!
      ( Osanha faz o bem, investiga no profundo, Xapaná tem
que fazer o bem, investiga no profundo)
D - Ou yà ou yà b’odù Òsanyìn se ré bu wá 
( Você te divida, te divida como os signos do Ifá, Osanha faz o
bem e investiga no profundo)
Ou - Ou yà ou yà b’odù!
                ( Você te divida, você te divida como os signos do Ifá!)
D - Òsanyìn se ré bu wá
                 ( Osanha faz o bem e investiga no profundo)
Ou - Òsanyìn èdè oogun làí-làí, èdè oogun làí-làí
             ( Osanha é a linguagem da medicina do começo de
os tempos)
D - Òsanyìn Sá ru’ wé èdè oogun làí-làí
                  ( Osanha corre, leva as ervas, é a linguagem da medicina
do começo dos tempos)
Ou - Sou èle sou èle!
(Amarra com força)
D - Ásejù rá nà ré wá
( Arrasta o excesso, propaga o bem e vêem)
Ou - Sou èle Òsanyìn g
   ( Amarra com força Osanha e curta)
D - Ásejù rá nà ré wá
( Arrasta o excesso, propaga o bem e vêem)
Ou - Sou sou ìtan jèfá
( Nos amarre a uma história com uma experiência de boa sorte)
D - Ásejù rá nà ré wá sou ìtan jèfá, ásejù rá nà ré wá 
      ( Arrasta o excesso, propaga o bem, vêem nos amarrar a uma
historia com uma experiência de boa sorte)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Ossain



                                 


Ossanhyin ou Ossaiyn é originário da cidade de Offá. Conhecido também como Babá Ewê ou Obá-Offá, seu culto está praticamente extinto na áfrica, devido a escassez de florestas.

Por ser o orixá das folhas e seus segredos medicinais, do ecossistema, da biodiversidade, da clorofila e do meio ambiente, adaptou-se totalmente ao Brasil, sendo absoluto dono da região amazônica.

Ossayin está intimamente ligado a Iroko, divindade da hemoglobina, cuja árvore simbolo erradamente é identificado como Gameleira Branca(ficcus doliária) no Brasil, quando na verdade é representado pela Moreira(chlorophora excelsa ou régia).



O HOMEM DE OSSAIN
É um homem com detalhes especiais no campo amoroso. Aparentemente tímido, na realidade da mesma forma que seu orixá, espreita a pessoa que lhe chama atenção até ter certeza que não errará seu alvo. Ele detesta ser rejeitado e por esta razão joga de maneira tática e matreira na conquista. Ele é aquele homem que entra por último numa disputa e certificando-se que seu alvo caiu em seu encanto, aí sim inicia seu jogo de sedução.
Ele joga com o corpo e com a inteligência ora usando um olhar, ora usando a versatilidade que tem sobre os mais variados assuntos dentro do campo das humanidades e ciência social.
Seus pontos fracos são o verde, a penumbra, um cachimbo. Sexualmente é passivo, se transformando em um verdadeiro "feiticeiro do sexo se for convenientemente estimulado.

A MULHER DE OSSAIN
É uma mulher tímida, mas que sustenta qualquer sonho de um homem, procurando durante toda a vida um homem que faça o mesmo com ela.
Aparentemente demonstra ser auto-suficiente e forte, mas no fundo é muito ciumenta e possessiva. Sexualmente é uma mulher insaciável, ativa e passiva, disposta a tudo desde que encontre o parceiro certo. Dentro dela existe um instinto automático de preservação da espécie e, assim sendo, um instinto automático de procriação, ainda que muitas vezes ela saiba que isto não vai acontecer.
Seus pontos fracos são a inteligência de um homem, um um papo sobre animais e ecologia, um beijo meloso, as festas e a fartura de tudo.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Lendas de Ossain


Ossaim, filho de Nana e irmão de Oxumarê, Ewa e Obaluaê, era o senhor da folhas, da ciência e das ervas, o orixá que conhece o segredo da cura e o mistério da vida. Todos o orixás recorriam a Ossaim para curar qualquer moléstia, qualquer mal do corpo. Todos dependiam de Ossaim na luta contra a doença. Todos iam à casa de Ossaim oferecer seus sacrifícios. Em troca Ossaim lhes dava preparados mágicos: banhos, chás, infusões, pomadas, abo, beberagens. Curava as dores, as feridas, os sangramentos; as desinteiras, os inchaços e fraturas; curava as pestes, febres, órgãos corrompidos; limpava a pele purulenta e o sangue pisado; livrava o corpo de todos os males.
Um dia Xangô, que era o deus da justiça, julgou que todo os orixás deveriam compartilhar o poder de Ossaim, conhecendo o segredo das ervas e o dom da cura. Xangô sentenciou que Ossaim dividisse suas folhas com os outros orixás. Mas Ossaim negou-se dividir suas folhas com os outros orixás. Xangô então ordenou que Iansã soltasse o vento e trouxesse ao seu palácio todas as folhas das matas de Ossaim par que fossem distribuídas ao orixás. Iansã fez o que Xangô determinara. Gerou um furacão que derrubou as folhas das plantas e as arrastou pelo ar em direção ao palácio de Xangô. Ossaim percebeu o que estava acontecendo e gritou: ”Euê uassá!” “As folhas funcionam!”
Ossaim ordenou que as folhas voltassem às suas matas e as folhas obedeceram às ordens de Ossaim. Quase todas as folhas retornaram para Ossaim. As que já estavam em poder de Xangô perderam o axé, perderam o poder de cura.
O orixá-rei, que era um orixá justo, admitiu a vitória de Ossaim. Entendeu que o poder das folhas devia ser exclusivo de Ossaim e que assim devia permanecer através dos séculos. Ossaim, contudo, deu uma folha a cada orixá, deu uma euê pra cada um deles. Cada folha com seus axés e seus ofós, que são as cantigas de encantamento, sem as quais a folhas não funcionam. Ossaim distribuiu as folhas aos orixás para que eles não mais o invejassem. Eles também podiam realizar proezas com as ervas, mas os segredos mais profundos ele guardou para si.
Ossaim não conta seus segredos para ninguém, Ossaim nem mesmo fala. Fala por ele seu criado Aroni. Os orixás ficaram gratos a Ossaim e sempre o reverenciam quando usam as folhas.



Ossaim é mutilado por Orunmilá





Ossaim vivia numa guerra não declarada contra Orunmilá, procurando sempre enganá-lo, preparando armadilhas, para transtorno do velho.Um dia Orunmilá foi consultar Xangô para descobrir quem seria aquele inimigo oculto que o atormentava, Xangô aconselhou-o a fazer oferendas, devia oferecer doze mechas de algodão em chamas e doze pedras de raio, edum ará, se isso fosse feito, seria desvendado o segredo.Ao iniciar o ritual, Orunmilá invocou o poder do fogo, no mesmo momento, Ossaim andava pela mata procurando novamente algo para enfeitiçar Orunmilá, Ossaim foi surpreendido por um raio, que lhe mutilou o braço e a perna e o cegou de um olho.Orunmilá seguiu para o local onde se via o fogo e ouviu gemidos do aleijado, ao tentar ajudar a vítima, encontrou Ossaim, descobrindo por fim quem era seu misterioso inimigo.




Ossain recusa-se a cortar as ervas miraculosas.





Ossain era o nome de um escravo que foi vendido a Orunmila. Um dia ele foi à floresta a lá conheceu Aroni, que sabia tudo sobre as plantas. Aroni, o gnomo de uma perna só, ficou amigo de Ossain e ensinou-lhe todo o segredo das ervas. Um dia, Orunmilá, desejoso de fazer uma grande plantação, ordenou a Ossain que roçasse o mato de suas terras. Diante de uma planta que curava dores, Ossain exclamava: "Esta não pode ser cortada, é as erva as dores". Diante de uma planta que curava hemorragias, dizia: "Esta estanca o sangue, não deve ser cortada". Em frente de uma planta que curava a febre, dizia: "Esta também não, porque refresca o corpo". E assim por diante.
Orunmilá, que era um babalawo muito procurado por doentes, interessou-se então pelo poder curativo das plantas e ordenou que Ossain ficasse junto dele nos momentos de consulta, que o ajudasse a curar os enfermos com o uso das ervas miraculosas. E assim Ossain ajudava Orunmilá a receitar a acabou sendo conhecido como o grande médico que é.





Como Òsanyìn descobre o nome das folhas.





Òrúnmílá dá a Òsanyìn o nome das plantas.
Ifá foi consultado por Òrúnmílá que estava partindo da terra para o céu e que estava indo apanhar todas as folhas. Quando Òrúnmílá chegou ao céu Olódùmaré disse, eis todas as folhas que queria pegar o que fará com elas ?
Òrùnmílá respondeu que iria usá-las, disse que, iria usá-las para beneficio dos seres humanos da Terra. Todas as folhas que Òrunmílá estava pegando, Òrúnmílá carregaria para a Terra.
Quando chegou à pedra Àgbàsaláààrin ayé lòrun (pedra que se encontra no meio do caminho entre o céu e a terra) Aí Òrúnmílá encontrou Òsanyìn no caminho.
Perguntou: Òsanyìn onde vai?
Òsanyìn disse; "Vou ao céu, disse ele, vou buscar folhas e remédios".
Òrúnmílá disse, muito bem, disse, que já havia ido buscar folhas no céu, disse, para benefício dos seres humanos da terra. Disse, olhe todas essas folhas, Òsanyìn pode apenas arrebatar todas as folhas. Ele poderia fazer remédios (feitiços) com elas porém não conhecia seus nomes.
Foi Òrúnmílá quem deu nome a todas as folhas. Assim Òrúnmílá nomeou todas as folhas naquele dia.
Ele disse, você Òsanyìn carrega todas as folhas para a terra, disse, volte, iremos para terra juntos.
Foi assim que Òrúnmílá entregou todas as folhas para Òsanyìn naquele dia. Foi ele quem ensinou a Òsanyìn o nome das folhas apanhadas.